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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Sabedoria de lixeiro

Tem dias que tem tudo para serem perdidos. Desperdiçados mesmo. Daqueles que se passados dormindo seriam mais bem aproveitados.

Aquele era um deles.

Descobrira de última hora - e achando que não mais aconteceria até sua formatura - que estaria de serviço na guarda do quartel. Aluno, quase sargento, cumprindo papel de soldado? Chingou, claro! E muito.

Eis que lá estava, ao invés de curtir o sábado no aconchego de sua avó. E o tempo passava segundo a segundo quando foi chamado a acompanhar o lixeiro. Conversa vai, conversa vem, o velho homem disse das coisas horríveis que via no lixão: crianças brincando no lixo, mulheres procurando nele o que comer, e então soltou o que faria valer todo o sábado do jovem:

“Sabe filho, todos tem uma chance na vida. Por menor que seja, todos terão. Mas muitos a menosprezam por achá-la pequena demais. Mal sabem eles que aquela pode ter sido a única oportunidade que a vida lhes concedeu.”

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Eu não sou uma cor

Isso mesmo. Não sou.
Eu sou negra, adoro ser, amo não ficar ardida por exagerar no sol, amo saber que envelhecer vai ser mais demorado, amo o fato de junto com a cor da pele ter vindo minha facilidade pra ganhar massa e meu metabolismo acelerado, amo meu cabelo que dá trabalho e veio incluso no pacote. Mas e daí? Eu amo pra mim, é meu!

E aí vem nego dizer que por sermos negros “nós somos os mais lindos da festa”, e acha que eu vou cair na anêmica lábia dele? Não! Não é assim! Nem bonito ele era pra começo de conversa.

E mesmo que fosse, perdia ponto aí. Tudo bem que nesse momento da minha vida qualquer ser humano já tem ponto negativo se for analisado como Homem, mas pensando que não fosse assim, os pontos ficavam negativos aí. Mulher gosta do fato de apreciarem sua aparência, não sejamos hipócritas, mas Mulher não é só peito, não é só bunda, nem é só cor de pele.

O problema é as pessoas falarem como se eu fosse uma cor, não parando por aí, uma cor melhor que as outras. É quase como se eu não fosse bonita se minha pele fosse branca. Irrita. De onde essas pessoas tiram que me lisonjeiam quando pregam a superioridade da “raça” negra? Gente..só se eu fosse uma espécie de líder da “Ku Klux Klan black”.

É como se achassem que eu sofri muito preconceito na vida e eles têm o dever de suprir meu obrigatório complexo de inferioridade com esses comentários enfadonhos. É ridículo! Pra mim, Maria, não funciona assim. Um elogio basta, não é preciso desmerecer as outras bocas, cabelos nem colorações pra “eu me sentir melhor”. {Eu não sou melhor! Ninguém é!}

Deixe-me explicar: pra uma coisa ser linda, a outra não precisa ser feia; todos os traços são bonitos, o que vale é a combinação deles pra fazer de uma pessoa bela ou não tão bela. Talvez ter crescido em um ambiente com crianças de todos os tipos, jeito e trejeitos tenha me ajudado a ter essa clareza; mas vamos evoluir né minha gente!?

Que tal: ao olhar uma pessoa, ver uma pessoa?

#ficaadica

sábado, 6 de novembro de 2010

Não conte a ninguém

Tenho que contar um segredo a você. Acontece que eu senti. É, eu senti. E não dor de barriga ou coceira na canela, foi aquele sentimento que me foge e escapa facilmente. Acho que minha presença não o agrada.

Aconteceu quando resolvi rever nossos vídeos de muitos anos. Aqueles...lembra? Aqueles que rendiam estresses entre vocês. (Nunca comigo, nunca fui adepta dos sentimentos) Olhei todas as fotos, prestei atenção nas letras das músicas...lembram como os fazíamos prestando atenção até nas pausas? Eu lembrei.

Lembrei e desejei uma pontinha daquele tempo. Nem precisava voltar a ele, me bastava o ar que tínhamos. Estamos tão distantes. Tão atarefadas. Não é mais nem metade do que era antes. E a culpa não é do namorado, não é da nova amizade e nem da faculdade; é nossa.

Sabe? Eu não dispensaria um brigadeiro com pipoca.





Saudade.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Desvirginando

Primeiro post no meu diário virtual de devaneios e desabafos.

. A primeira vez é sempre marcante...dizem. Pra ser bem sincera eu não lembro do Primeiro beijo, do Primeiro dente de leite que caiu, nem da Primeira vez que eu andei de bicicleta sem rodinhas. Primeiras vezes nem sempre são memoráveis, a importância não está nelas em si, mas na saída da inércia do repouso. Depois que começou é mais fácil de continuar, Newton já falou algo parecido.
. Então, seguindo a sua primeira lei e desprezando a ação de forças externas, espero escrever uniformemente no meu mais novo diário.